domingo, 13 de março de 2011

Carnavalis Recifensis

Venho aqui humildemente, na qualidade de pernambucano apaixonado pelo carnaval, para tentar descrever uma das mais populares festas que se desenvolvem neste estado: o carnaval. Indo um pouco além, me arriscaria a dizer que o carnaval pernambucano é a festa mais democrática, mais integrativa, mais prazerosa, aquela que mais traduz a essência do povo brasileiro: multiculturalidade, multiplicidade, respeito às diferenças e harmonia de nosso povo, de tal sorte que o caráter predominantemente gratuito de nossas manifestações culturais e artísticas ocorridos desde o litoral até o sertão mostram nossa preocupação com a difusão de valores e não a pregação de uma mera valoração econômica pregada por uma ideologia hipócrita neoliberalizante e estruturadora de enormes equívocos atribuída às nossas manifestações sócio-culturais taxadas de cultura de massa, cultura menor, cultura popular de menor importância.
A pluralidade de ritmos, ritos e mitos nos chega como coloridas fantasias, com a exaltação dos caboclos de lança, com os batuques ritmados dos maracatús, sejam do baque solto ou baque virado, os frevos de bloco exaltando nossa história, a história áurea dos carnavais de bloco como Pitombeira dos Quatro Cantos, Vassouras, Bola de Ouro, os frevos de rua, entre tantas outras manifestações de igual importância em nossa tradição carnavalesca.
Por falar em tradição, o que foi o desfile do Galo da Madrugada? Não teria palavras para adjetivar tamanha  altivez, força e ânimo necessários para arrastar consigo milhões de foliões que rasgaram o passo no mais legítimo frevo pernambucano! Frevo que ferve nas veias, frevo que, assim como já diz o frevo de Luiz Bandeira - Voltei Recife: "Quer sentir a embriagues do frevo que entra na cabeça, depois vai no corpo e acaba no pé.", que traz e atrai e conquista tanta gente, brasileiros e estrangeiros a sentir esse ritmo forte, pulsante que caracteriza essa comemoração festiva de qualidades infindas.
Nosso carnaval descentralizado abrilhantou, nos mais diversos polos multiculturais, as faces nativas e estrangeiras  com os mais variados ritmos: frevo, mangue beat, samba, hip hop, afoxé, maracatu, forró (ritmo atípico do carnaval, mas muito apreciado pelos nordestinos), ciranda, coco de roda e muito, muito mais...
Pra que tem curiosidade, um pouco do frevo tradicional de Pernambuco, frevo que, de certa forma narra o conto épico da construção da riquíssima história de Pernambuco:
http://www.youtube.com/watch?v=LQBjUvomkes
http://www.youtube.com/watch?v=pcAqcOyYoPM

Exaltando nosso povo...

Somos renegados socialmente num país de dimensões continentais e abismos sociais de amplitude muito maiores. Em nosso cenário sócio-histórico, estar ao norte do país é ser geneticamente forjado para o fracasso e humilhação.
Compartilham deste pensamento etnocêntrico (egocêntrico e excêntrico) alguns brasileiros cujo ideal de cultura e de sociedade é muito restrito, fruto um determinismo arcáico, desnecessário e inútil que entende  que a sorte, o destino  de quem se  localiza em região tropical (proximal à Linha do Equador) fosse uma condição de travamento intelectual, obstáculo econômico e retrocesso social e entende toda e qualquer ordem que advenha da nossa cultura como prisão que amarra nossas mãos e pés e não nos permite mais ter nenhum tipo de desenvolvimento.
Tenho, infelizmente, que situar essas pessoas na importância de nossa gente e de nossa força. Somos berçário de grandes lutas, de grandes herois, de ideais libertários de progresso muito além do esperado, como sempre, vanguardistas e transformadores de realidades injustas e incoerentes.Somos um povo que mesmo com sua enorme altivez ainda conserva uma simplicidade além da admitida pelos que trajam vestes preconceituosas e reducionistas de caráter minimalista, ou melhor, minúsculo!
Nossa produção cultural aumenta e se perpetua, nossos cantores,(melhor dizendo, nossos intérpretes), nossos escritores, nossos pensadores e intelectuais do mais alto e refinado nível de desenvolvimento. Preciosidades como Manuel Bandeira, Castro Alves, Luiz Gonzaga, João Cabral de Melo Neto, Capiba, Dominguinhos, Gregório de Mattos, Lenine, Ariano Suassuna, Silvério Pessoa, Romero Britto, Francisco Brennand, Mestre Vitalino e tantas outras personalidade cuja genialidade e perspicácia são representantes de um povo socialmente bem desenvolvido e bem assentado na multiculturalidade e respeito às diferenças, lançando projeções importantíssimas no cenário social nacional.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Cancioneiro recifense

Recife, minha terra de encantos
Mil faces, mil povos, mil culturas
Recife, quão grande é a bravura
Deste povo que te converte

Num Brasil de um sonho mais inerte
No nordeste cansado dessa seca
Nossa mina perdida de beleza
Nosso orgulho ferido acabado

O Recife atual já deturpado
Sofre a perda e o vício instaurado
Do que fora a glória, hoje é retalho
Do Brasil foste a vida hoje és morte

Sobrevives à tua própria sorte
Das lembranças felizes do passado
Pelos becos se vê a própria morte
Pelas ruas menor abandonado

Presença Judáica no Recife

Viemos com Maurício de Nassau
Trazendo da Europa todo nosso capital
Conosco o Recife prosperou
A cana no novo ouro se tornou

Expulsos de nossa própria terra
Tentamos achar o paraíso
Mas quando nos demos conta
Corremos muitos perigos

Perseguidos, multilados
Açoitados pela sorte
No final senti na pele
As chagas da minha morte

Expulsos pela Igreja,
Partimos rumo ao norte
Mesmo com dor e tristeza
Erguemos a Nova York